Migração do Qlik Sense on-premises para o Qlik Cloud: o que muda para o usuário final
por Cluster
A migração do Qlik Sense on-premises para o Qlik Cloud é planejada como projeto de infraestrutura, com cronograma de tenant, espaços, conexões de dados e recargas, e costuma chegar ao usuário final na forma de um e-mail avisando que o endereço mudou. Quem abre um painel uma vez por semana recebe esse aviso, tenta o link que estava nos favoritos, não encontra o app de sempre e volta a pedir o número por WhatsApp para o analista.
O conteúdo abaixo é a lista do que realmente muda para essa pessoa, o que continua exatamente igual e o que o time de BI precisa comunicar antes da virada.
O que muda e o que continua igual
Para quem só consome análise, a migração não mexe no conteúdo. O modelo de dados é o mesmo, os gráficos são os mesmos, os apps Qlik (os arquivos QVF) não mudam e a seleção em um filtro continua repercutindo no resto da tela. Muda o caminho até o conteúdo.
| O que | Qlik Sense on-premises | Qlik Cloud |
|---|---|---|
| Endereço | Servidor da empresa, link interno | URL do tenant, aberta pela internet |
| Login | Conta de rede, às vezes VPN | Login corporativo via provedor de identidade |
| Organização dos apps | Streams | Espaços gerenciados, compartilhados e pessoal (documentação da Qlik) |
| Acesso de fora do escritório | Depende de VPN ou publicação externa | Navegador, de qualquer lugar |
| Celular | App móvel conectado ao servidor | Mesma URL no navegador do celular |
| Relatório recorrente | Envio configurado pelo time de BI | Assinatura que o próprio usuário cria |
| Aviso de mudança no dado | Não existe por padrão | Alerta por valor ou variação |
| Permissões | Regras de segurança do servidor | Permissões de espaço mais section access |
Todo link antigo para de funcionar
Esse é o primeiro atrito e o mais subestimado. O link do servidor antigo está no favorito do navegador, no e-mail de abertura de mês, na apresentação do comitê e na planilha que o analista mandou em março. Nenhum deles leva ao painel novo, e o usuário que tenta não recebe uma mensagem explicando o motivo: recebe erro.
Vale mapear onde os links antigos circulam antes da virada e substituir pelo menos os que estão em documento vivo, como manual de processo, intranet e e-mail recorrente. Para o resto, o jeito mais barato é manter um redirecionamento do endereço antigo durante alguns meses.
As streams viram espaços, e os nomes mudam junto
A recomendação da Qlik é mapear stream para espaço na proporção de um para um, com as streams governadas pelo time de BI virando espaços gerenciados e as de autoatendimento virando espaços compartilhados. O que era "Meu trabalho" passa a ser o espaço pessoal.
Na prática, a migração é a oportunidade que o time de BI aproveita para limpar a casa, descartar stream parada e renomear o que estava confuso. É a decisão certa para a governança e é também o motivo pelo qual o usuário não acha o app de sempre: ele procura pelo nome antigo, dentro da estrutura antiga. Se houve renomeação, o de-para precisa chegar junto com o aviso de mudança de endereço.
O que continua igual
Tudo o que define o que cada pessoa enxerga dentro do app continua valendo. O section access vai junto com o modelo, então o gerente regional continua vendo a região dele e o diretor continua vendo todas. As abas, os gráficos, as cores e os filtros são os mesmos, e os mashups publicados continuam no ar depois de apontados para o novo ambiente.
O que o usuário ganha sem precisar pedir
Três recursos passam a estar na mão de quem consome, sem abrir chamado para o time de BI:
- Assinatura de relatório. O usuário escolhe a aba, a periodicidade e recebe o PDF no e-mail, com os filtros que ele aplicou.
- Alerta. Dá para ser avisado quando uma medida cruza um limite ou varia além do esperado, em vez de abrir o painel todo dia para conferir.
- Acesso de fora. O mesmo endereço funciona no celular, na casa do cliente e na viagem, sem VPN.
São os três itens que mais rendem na comunicação da virada, porque respondem à pergunta que o usuário realmente faz, que é o que ele ganha com a mudança.
Por que a adoção cai nas primeiras semanas
Quem usa análise todo dia atravessa a migração em uma manhã, salva o novo favorito e segue. O problema está no usuário esporádico, que abre o painel uma vez por mês para fechar um número e não tem rotina para absorver endereço novo, login novo e nome de espaço novo de uma vez.
Esse grupo some em silêncio. Ninguém abre chamado dizendo que parou de acessar, e o time de BI só descobre meses depois, olhando o relatório de uso ou percebendo que voltou a receber pedido de número por mensagem.
O que segura esse grupo é reduzir o caminho até o painel: um ponto de entrada único divulgado em todo lugar, o de-para de nomes à mão e um treinamento curto focado em onde achar o que ele já usava. Quanto mais perto de um clique, menos gente se perde.
Checklist da semana da virada
O time de BI cuida do tenant, dos espaços e das recargas. Esta lista é a outra metade, a que fala com quem usa:
- Comunicado com a data, o novo endereço e como entrar, enviado antes da virada e repetido no dia
- De-para dos nomes: stream antiga, espaço novo, nome do app em cada um
- Links antigos substituídos em intranet, manuais e e-mails recorrentes
- Redirecionamento do endereço antigo ativo por pelo menos três meses
- Lista dos dez apps mais acessados, com link direto para cada um
- Sessão de 20 minutos por área, mostrando onde achar o que a área já usava
- Assinaturas e alertas demonstrados na sessão, com um exemplo real da área
- Canal aberto para a primeira semana, com alguém do time de BI respondendo
- Relatório de uso comparado entre os 30 dias antes e os 30 depois, por área
Onde o NewHub entra
O NewHub é a camada de consumo que fica sobre o Qlik Cloud e dá a esse usuário um endereço só: apps e mashups no mesmo lugar, organizados por área e assunto em vez de por estrutura técnica, com a identidade visual da empresa. Ele herda o modelo e as permissões do Qlik, então nada é duplicado e ninguém passa a ver o que não via antes.
Na MDS Group, corretora de seguros que opera no Brasil, em Portugal, em Angola e em Moçambique, a adoção subiu 400% depois que o portal entrou. Na FIEG, federação das indústrias de Goiás, a base passou de 50 para 250 usuários.
Se a sua migração para o Qlik Cloud está em cronograma, o momento de decidir o ponto de entrada do usuário final é agora, junto com o desenho dos espaços, e não seis meses depois, quando o relatório de uso mostrar a queda. Fale com a gente para ver o NewHub rodando sobre um tenant de demonstração.
Perguntas frequentes
O usuário precisa instalar alguma coisa para usar o Qlik Cloud?
Não. O acesso é pelo navegador, no computador ou no celular, com o login corporativo.
Os painéis ficam diferentes depois da migração?
O conteúdo é o mesmo: mesmas abas, mesmos gráficos, mesmos filtros. O que muda é o endereço, a forma de entrar e a organização dos apps, que passa de streams para espaços.
Quem via um conjunto restrito de dados continua vendo só aquilo?
Sim. O section access acompanha o modelo e as permissões passam a ser controladas também pelo espaço onde o app está publicado.
Os links salvos pelos usuários continuam funcionando?
Não. O endereço do servidor antigo deixa de responder, por isso o redirecionamento e a substituição dos links em documentos e e-mails recorrentes entram no plano da virada.
Dá para receber relatório por e-mail sem pedir ao time de BI?
Dá. O próprio usuário cria a assinatura da aba que quer, escolhe a periodicidade e recebe o PDF.
Quanto tempo leva para a adoção voltar ao normal?
Depende menos da tecnologia e mais da comunicação. Com de-para de nomes, ponto de entrada único e treinamento curto por área, o uso costuma se estabilizar no primeiro mês; sem isso, o usuário esporádico some sem avisar.
